EDUARDO BENI
Ser policial no Brasil não é uma tarefa fácil, além de não ter o reconhecimento da população e do Estado é rotulado, na maioria das vezes, de truculento, despreparado, ignorante e corrupto, mas essa não é a história que quero contar, pois hoje (1º de Dezembro) é o dia mundial da luta contra a AIDS.
Bom, e o que isso tem a ver com ser policial?
Nessa história tem tudo a ver, pois essa é a história de um policial que adotou uma menina com AIDS.
Esse policial e sua esposa, por um bom tempo, visitaram o hospital e lá ficaram internados, ora um, ora outro, com sua filha, vários dias, durante meses.
Todos os dias que iam com sua filha ao hospital, conheciam histórias, pais, avós, médicos e enfermeiras e descobriram que havia muitas crianças com AIDS e todas elas renegadas pela família, outras sem pais e todas sendo cuidadas por pessoas de Abrigos. Poucas são adotadas, não fazem nem parte das estatísticas de adoção.
Num desses dias o policial conheceu uma família que iria mudar a sua vida.
Nesse dia, na sala de medicamentos, havia um senhor com seus dois netos e eles iriam tomar o mesmo remédio que sua filha. O policial estava sentado em uma cadeira ao lado do leito, onde sua filha recebia o medicamento e em outro leito estava um dos meninos, neto desse senhor.
Começaram a conversar e esse senhor, sentindo-se a vontade, contou sua história.
Ele havia perdido sua filha e seu genro devido a AIDS, pois, como normalmente acontece, não aderiram aos medicamentos. Deixaram cinco filhos e somente os dois mais novos tinham AIDS. Esse senhor, de 75 anos e muito religioso, era viúvo e cuidava dos cinco netos. Lamentava e contava sua história com uma tristeza profunda, sentia-se muito sozinho, às vezes sem esperança.
O policial emocionado com sua história começou a chorar, relembrado tudo que havia passado até então. Lembrava da adoção, dos dias que ficou na internet lendo artigos sobre AIDS, os dias no hospital, o sofrimento de sua filha, e sentia o quão difícil foi percorrer esse caminho. Em dado momento, o senhor perguntou se ele e sua esposa tinham AIDS, pois sua filha tinha e estava lá sendo medicada.
Assim, o policial contou a história de sua família.
Quando contava, o senhor começou a chorar copiosamente, ficando muito emocionado e isso impressionou o policial, pois entendia que a vida desse senhor era muito mais difícil. Foi quando perguntou porque estava tão emocionado.
O senhor, contendo as lágrimas, disse:
- Você e sua esposa são anjos, pois vocês escolheram. Eu não escolhi, não quis isso. Foi uma obrigação imposta pela vida, pois são meus netos. Eu não queria que isso acontecesse. Vocês escolheram, isso é bem diferente.
Nesse momento o policial entendeu o profundo significado de suas palavras e de seus sentimentos e respondeu:
- Caro amigo, o senhor também escolheu, embora de forma diferente, o senhor também escolheu, pois se não quisesse eles estariam em abrigos como a grande maioria.
Foi um momento de muita emoção para todos e a vida deles mudaria a partir daquele dia.
Escolhas…
Você pode fazer as suas, pense bem antes de fazê-las, pois uma criança que nasce com AIDS pode ter sido fruto de sua falta de cuidado. Proteja-se e estará protegendo também uma criança.





