BOA/MG e FMVL realizam treinamento de resgate na Serra da Moeda

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Minas Gerais – Com a abertura da nova temporada de Voos de Parapente, Paraglider e Asa Delta, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais juntamente com a Federação Mineira de  Voo Livre, realizou um treinamento simulando o resgate de uma vítima de acidente com parapente, visano alertar aos praticantes sobre a importância da prevenção dos acidentes, da realização de voos seguros através de manobras e procedimentos seguros.

A prática do voo livre encontra na Serra da Moeda um dos seus endereços mais concorridos em todo o Brasil. O local é uma cordilheira que contribui para a formação do maciço do Espinhaço, estendo-se de norte a sul por mais de 60 km, sendo que a face leste tem em média 150m de altura e a face oeste tem cerca de 650m. A rampa de decolagens de parapentes e asas-deltas do Clube de Vôo Livre de Belo Horizonte fica a 25 km do centro da capital mineira, a 1.500m de altitude.

O treinamento foi coordenado pelo Batalhão de Operações Áreas – BOA e aconteceu no dia 17 de janeiro de 2010, às 17horas, na Serra da Moeda. Compareceram muitos praticantes de voo livre: para reforçar as instruções sobre segurança de voo e assistirem à ação dos militares, que atuaram em uma equipe com 6 bombeiros da Esquadrilha Aracanjo, utilizando a Aeronave AS 350 Esquilo – Arcanjo 03, contando com uma equipe de solo TASA e Guarnições de salvamento e Resgate do 1º BBM.

O BOA do CBMMG, em parceria com a Federação Mineira de Voo Livre (FMVL), realizou o treinamento em local de difícil acesso (encosta com vegetação e fortes ventos), simulando toda a seqüência de eventos e procedimentos adotados em tais circunstâncias. Os voos foram suspensos a partir das três horas da tarde na rampa, e um cenário de acidente com piloto, em local de difícil acesso e situado próximo do ponto de decolagem foi simulado em detalhes.

A primeira ação foi realizada pelos próprios pilotos de paraglider e asa delta. Além de telefonarem para o Resgate via 193, verificaram o estado da vítima no local da queda. O segundo ato é representado pela equipe da unidade de resgate terrestre dos Bombeiros, que após deslocamento, chega até a vítima, constata traumatismo craniano, lesões de coluna e fraturas, e imobiliza completamente a mesma. Rápida consulta ao COBOM, via rádio, e vem a ordem, acionar os Arcanjos! A terceira e decisiva fase, especialmente para a vida da vítima, entra em ação.

O tempo médio até a rampa, decolando de PLU, não passa de 20 minutos de vôo.  No caminho, a tripulação de cinco militares estabelece contato com a equipe de resgate no solo, e checa o cumprimento da proibição de voos na área e a operacionalidade do guincho elétrico. A bordo, dois graduados tripulantes operacionais e seu equipamento aguardam a vertical da ocorrência.

Após circular pela área para se familiarizar com a situação, o piloto efetua um pairado, observando o cuidado de não provocar a subida de detritos e pedras, e a dupla de socorristas executam um rapel até o solo. Em questão de momentos, a maca é envolvida por outra espécie de maca bem maior, com quatro pontos de ancoragem para fixação no guincho. O tripulante que fica a bordo, posicionado na porta da aeronave, devidamente clipado e em segurança, opera o guincho da aeronave.

Rapidamente, a maca é presa ao cabo, checada e içada para bordo do helicóptero, que mantém o pairado, o piloto atento para os parâmetros dos instrumentos do motor e a condição do vento. Do solo, uma corda mantém a maca estável enquanto é içada, sendo liberada quando a vítima é colocada para dentro do Arcanjo.  Dali o piloto voa para outro ponto próximo, com condições de acesso para a viatura resgate, onde poderá realizar o pouso, desembarque e a transferência do acidentado para a ambulância, que segue destino para o hospital de politraumatizados mais próximo.

Mauro Arruda, Presidente da Federação Mineira de Voo Livre, destacou a importância da parceria com os Bombeiros para a prática segura dos vôos na Serra da Moeda “- A tranquilidade proporcionada pela presença do Resgate é fundamental, tanto que os campeonatos disputados aqui só acontecem com a presença de equipes dos Bombeiros e seu inestimável apoio. Muitos pilotos possuem noções básicas de primeiro socorros, portanto em caso de necessidade, garantimos o primeiro acesso a vítima, sua avaliação, acionamos o 193 e deixamos os profissionais fazerem seu trabalho, que para nós, assim como para a população em geral, é valioso”, afirma o piloto e dirigente.

Os bombeiros da Esquadrilha Arcanjo já atuaram em vários resgates desse tipo e ressaltam: “o treinamento contínuo é fundamental para o sucesso da operação, que é arriscada. Nosso êxito é alcançado porque praticamos os salvamentos como treinamos.”, relatou o Comandante do Arcanjo 03, piloto Cap BM Pedro. E concluiu: “manobras seguras de voo, para os praticantes do voo livre, são o caminho para um voo sem incidentes nem acidentes.”

O CBMMG deseja a todos os praticantes de Voo Livre bons e seguros Voos!

Clique e veja vídeo com a cobertura do treinamento, matéria veiculada no Jornal Alterosa, 1ª edição.

FOTOS DO TREINAMENTO (Clique na foto e veja em tamanho original)


Texto: Roberto Caiafa para Piloto Policial – http://www.caiafa.blogspot.com

Fotos: Roberto Caiafa (solo) e Marcos Junglas (Aéreas) – [email protected].

Contato: Michel Nazar, Ex-Presidente da FMVL, piloto veterano e produtor de TV, [email protected], http://twitter.com/mnazar01, (31) 3347-1723 ou 9137-5534, Coordenador do treinamento entre FMVL e BOA.


Fontes:

http://www.serradamoeda.com.br/
http://fmvl.blogspot.com/
http://minasgerais.entrei.net/empresa/federacao-mineira-de-voo-livre/1574432.html
http://www.escolaserradamoeda.com.br/
http://santaluzianet.com/modules/news/article.php?storyid=19
http://groups.google.nl/group/serradamoeda/browse_thread/thread/7e14c4fd6d44a62e


4 COMENTÁRIOS

  1. Fantástica iniciativa do treinamento.

    Esse tipo de acidente é mais comum do que imaginamos e a atuação da aeronave no resgate é muito técnica.
    Com a realização de treinamentos como esse certamente a atuação em uma situação real fica com o risco bastante reduzido.

    Quanto as fotos, sem comentários ! O Roberto Caiafa e o Marcos Junglas se superaram em termos de qualidade.

    Bons voos a todos !

    ALEX MENA BARRETO
    1o. Ten PM – GRPAe/SP

  2. A operacionalidade de uma tropa se mede pelo seu treino e acuracidade de emprego. O BOA, não por acaso, está entre as unidades de aviação militar estadual mais capazes do Brasil.

    O comprometimento com a missão, o preparo das equipagens e pilotos e a modernidade na visão de seu comando garantem excelentes resultados.

    Quanto as fotos, elas são fruto de intenso trabalho pré-voo, muita doutrina de segurança e um sentido de trabalho em equipe único. O BOA é uma família que “VOA para SALVAR”.

    Roberto Caiafa e Marcos Junglas, de Belo Horizonte (www.caiafa.blogspot.com)

  3. Muito legal mesmo!

    Parabens pelo profissionalismo e a preocupação de estarem preparados!

    Treinamos oque fazemos e fazemos exatamente oque treinamos!

    Bons voos!!

    Sgt PM Edmar
    Tripulante Operacional
    BRPAe Praia Grande/SP

  4. CERTAMENTE ESSES PROFISSIONAIS ESTÃO DE PARABÉNS POR TEREM TAMANHA CAPACIDADE DE SE DESTACAREM DE MANEIRA TÃO PROFISSIONAL, ARROJADA, COMPETENTE, E SE FAZENDO DE EQUIPAMENTO INDISCUTÍVELMENTE CORRETO, EM UMA MISSÃO DESTA MAGNITUDE.

    PERCEBO QUE AS DEMAIS UNIDADES ÁEREAS DOS ESTADOS BRASILEIROS, ESTÃO CADA VEZ MAIS SE DESTACANDO EM TODOS OS TIPOS DE MISSÕES, COM O USO DO EQUIPAMENTO MAIS ADEQUADO, SEM EXPOR VÍTIMAS E TRIPULANTES, ASSIM COMO A SEGURANÇA DO VOO, DOS DEMAIS TRIPULANTES DESNECESSÁRIAMENTE,EM CORDAS, DEPENDURADOS COMO “ARANHAS” NO HELICÓPTERO.

    COISA QUE O GRPAe DE SP, POR CAUSA DE “DESAJUSTES” DE ALGUNS GRUPOS DOS SEUS PROFISSIONAIS, AINDA INSISTENTEM PLENAMENTE APENAS NESSE TIPO DE PROCEDIMENTO(USO DE CORDAS).

    DEVE-SE URGENTEMENTE SE REVER ESSES CONCEITOS E PROCEDIMENTOS, QUE PODEM JÁ ESTAR SE TORNANDO OBSOLETOS PELOS EQUIPAMENTO, E ULTRAPASSADOS PELOS PROCEDIMENTOS, SENDO QUE A TECNOLOGIA HOJE APRESENTADA E DISPONÍVEL PARA DIVERSAS MISSÕES EXECUTADAS AQUI E EM TANTAS OUTRAS PARTES DO MUNDO, SE VERIFICAMOS SEM UTILIZAÇÃO DE CORDAS COMO CARGA EXTERNA.(O LOCAL MAIS SEGURO DE UMA AERONAVE É DENTRO DA SUA CABINE).

    VEMOS QUE SE UTILIZA NESSA MISSÃO, A RETIRADA DA VÍTIMA EM MACA DE MONTANHA COM O IÇAMENTO PELO GUINCHO ELÉTRICO; SE ESSA MESMA MISSÃO FOSSE EXECUTADA PELO GRPAe-SP NESSA MESMA CIRCUNSTÂNCIA,VERÍAMOS CARGA EXTERNA “VOANDO” SOB A AERONAVE.
    MISSÃO BEM EXECUTADA!

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