Conheça a história do Batalhão de Aviação da Brigada Militar/RS

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Blog POA SPOTTER

A semente de uma Brigada Militar Aérea foi plantada em 06/08/1915, quando o Comandante-Geral da época, Coronel Emílio Massot, com uma visão futurista, propôs ao então Presidente do Estado, Borges de Medeiros, a criação de uma escola de aviação.

O ofício anexava um estudo detalhado, com análises claras e fundamentadas, sobre características de um bom campo de aviação, suas instalações, serviços de apoio, socorros e comunicações.

Ainda continha comentários sobre os aviões de instrução, sua aquisição e a respectiva estimativa de preços, além da sugestão de um currículo escolar, indicando assuntos teóricos e prevendo exercícios práticos. O projeto, porém, foi recusado pelo Presidente do Estado, que o considerou assunto de alçada do Governo Federal e do Ministério da Guerra.

Oito anos depois, em virtude do Governo do Estado encontrar-se convulsionado pelo movimento revolucionário de Assis Brasil, o Coronel Massot viu uma nova oportunidade para introduzir a aviação na Brigada Militar, sendo então regulamentado, através do Decreto Estadual Nr. 3161, de 28 de Maio de 1923, o Serviço de Aviação da Brigada Militar.

O DESENVOLVIMENTO

Localizado no terreno do Porto de Veterinária na Várzea do Gravataí, cercanias de Porto Alegre (atual Aeroporto Internacional Senador Salgado Filho), o Serviço de Aviação começou a funcionar com uma pista de 600 metros de comprimento e dois hangares (um fixo e um desmontável), instalações para alojamento e pessoal, oficinas e serviços burocráticos. Noêmio Ferraz, ex-sargento-aviador do Exército, da turma de 1921, foi contratado paras as missões de voo e Osório Oliveira Antunes, para as funções de observador aéreo, sendo a ambos atribuído o posto de Alferes.

O primeiros aviões vieram da Argentina. Eram dois Breguet 14 usados, com motor de 300HP, adquiridos pelo Governo Estadual, através da Secretaria de Obras Públicas e receberam a identificação de BM-1 e BM-2.

Em 30 de Maio de 1923, ocorreram, de forma pioneira, os primeiros voos de experiência sobre Porto Alegre e proximidades. Estavam equipados com metralhadoras, fuzis e lançadores de bombas, à semelhança dos aeroplanos utilizados na Primeira Guerra Mundial.

As metralhadoras foram posteriormente retiradas, pois se destinavam apenas a combates aéreos. Quanto as bombas, construídas pela própria Brigada, só produziam efeito moral e destinavam-se a espantar as montarias, provocando estouro da cavalhada, deixando as tropas inimigas confusas e a pé na perseguição dos animais.

As missões deste serviço de aviação eram e observação, reconhecimento e informação dos movimentos das tropas do Estado, iniciando sobre as cidades de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Alfredo Chaves (hoje Veranópolis), ao Norte. Também foram efetuadas missões sobre Cachoeira do Sul, São Sepé, Caçapava do Sul e Encruzilhada do Sul, ao oeste. No sul foram efetuadas missões sobre Camaquã e Pelotas, sendo percorridas distâncias superiores a 200 Km.

A INTERRUPÇÃO DOS SERVIÇOS

Em 09 de Agosto de 1923, o BM-1 decolou da Várzea do Gravataí, numa de suas missões de observação, com Ferraz e Osório. No regresso, quando em sobrevoo da Várzea do Piquerí (atualmente Passa Três), o avião incendiou-se, obrigando o piloto a efetuar uma aterragem de emergência.

O Alferes-aviador Noêmio Ferraz, mesmo sofrendo a ação do fogo, com muita perícia, conseguiu efetuar um pouso forçado junto a um morro, sendo arremessado para fora do aparelho, salvando-se milagrosamente. O mesmo não aconteceu com seu companheiro, o Alferes-observador Osório, que pereceu queimado por entre os destroços.

Os voos passaram a ser realizados pelo BM-2. Já desgastado, começou a apresentar panes constantes. Foram em vão as tentativas de aquisição de novas aeronaves, sendo que, na impossibilidade de se cumprir as missões com o BM-2, o serviço foi extinto.

Então no dia 02 de Janeiro de 1924, o Coronel Massot, assinou o ato de término do serviço com a seguinte explicação: “dada a construção antiga dos aeroplanos adquiridos e por consequência já muito usados, não logrando êxito no novel serviço”.

A aviação do Estado teve uma curta duração e uma equipe pequena, mas numa época em que a maior segurança de voo era o retorno das aeronaves ao seu campo de pouso, o exemplo de Ferraz e Osório foi grande e ficou perene, pelo desprendimento e pela coragem que, pioneiramente nos pagos gaúchos, elevaram ainda mais o valor da aviação, que a visão acurada do Coronel Massot soubera divisar nos primórdios dos serviços aéreos.

RENASCE O SERVIÇO AÉREO

Após 66 anos do pioneirismo da Aviação Brigadiana, o Governo do Rio Grande do Sul, atento à necessidade de modernização da sua Polícia Militar e buscando o aprimoramento dos serviços prestados à sociedade riograndense, criou em 22 de Setembro de 1989 o Grupamento de Polícia Militar Aéreo (GPMA), localizado no mesmo local, onde, em 1923, ocorreu o pioneiro voo do BM-1 durante a invernada da cavalaria brigadiana, junto a várzea do Gravataí, ontem Aeroporto São João e hoje transformado no Aeroporto Internacional Salgado Filho (SBPA/POA).

A novidade na época da criação do GPMA, foi a aquisição de novas e modernas aeronaves como três motoplanadores Ximango para patrulhamento e um helicóptero MD-500E.

As missões executadas exigem muita habilidade e perícia dos pilotos pois realizam missões que podem ser simples como o transporte de autoridades e logística, ou mais complexas como missões de salvamento e resgate em áreas de difícil acesso, patrulhamento urbano muitas vezes voando abaixo dos limites de altitude e velocidade.

Utilizando o código-rádio “GUAPO”, referência ao nome anterior da Unidade (Grupamento Aéreo de Policiamento Ostensivo) mais o número da aeronave em uso. Os códigos “GUAPO-01” e “GUAPO-02”, não são usados em homenagem aos heróis do passado que voaram as primeiras aeronaves da corporação.

Em 2004 o Batalhão passou a descentralizar suas operações criando bases operacionais:

1) Base Aeropolicial Metropolitana (BAM – 1° Esquadrão de Aviação) – Porto Alegre.
2) Base Aeropolicial da Fronteira (BAF – 2° Esquadrão de Aviação) – Uruguaiana.
3) Base Aeropolicial da Serra (BAS – 3° Esquadrão de Aviação) – Caxias do Sul.
4) Base Aeropolicial Central (BAC – 4° Esquadrão de Aviação) – Santa Maria.
5) Base de Transporte (BT – 1° Esquadrão de Transporte) – Porto Alegre.

Ao visitar as instalações em Porto Alegre percebe-se que este hangar não abriga apenas simples militares, mas especialistas empenhados e dedicados, que nestes quase 23 anos e com mais de 23.000 horas de voo prezam pela segurança de voo e padronizaram procedimentos operacionais em busca da excelência.

Eles a muito perceberam que o militar moderno tem que estar capacitado não apenas para a missão policial e sim para missões de salvamento e resgate, primeiros socorros, atendimento pré-hospitalar, remoção e transporte de feridos. É visível um lado humanitário extremamente desenvolvido.

As aeronaves e tripulações empregadas nas missões são definidas de acordo com o local, tipo de missão, tempo de ação resposta, condições meteorológicas e outras questões a critério do chefe de equipe ou pelo chefe da Seção de Operações. Fazem parte da rotina operacional da unidade as equipes de serviço é constituída pelas tripulações de voo (pilotos e tripulantes operacionais), por um efetivo de operadores de pista, mecânicos, motoristas e guardas do aquartelamento.

A atividade aérea na segurança pública, constituí-se em uma ferramenta veloz, moderna e atuante a disposição dos órgãos de segurança pública pois, proporciona eficiente atendimento e um apoio eficaz, tanto para sociedade, como para as diversas especialidades da Brigada Militar.

As tripulações dos Esquadrões de Aviação e do Esquadrão de Transporte baseados em Porto Alegre e nas demais bases pelo estado, decolam diariamente em missões de apoio aéreo as unidades de policiamento e de bombeiros constituindo-se o “apoio que vem do céu”.

CENTRO DE FORMAÇÃO AEROPOLICIAL (CFAer)

Localizado no Aeroporto da Brigada Militar, em Capão da Canoa, foi criado em 25 de abril de 2005. Tem por função a formação e especialização dos policiais militares na área de policiamento aéreo, bem como o desenvolvimento de programas de incentivo e qualificação técnico-profissional da atividade aeropolicial na corporação.

Possui os seguintes cursos homologados pela Autoridade Aeronáutica Brasileira:

1) Piloto Privado Avião e Helicóptero – Teórico e Prático
2) Piloto Comercial/IFR Avião – Teórico e Prático
3) Piloto Comercial de Helicóptero – Teórico e Prático
4) Instrutor de Voo de Avião e Helicóptero – Teórico e Prático
5) Adaptação ao Helicóptero Esquilo – Teórico e Prático
6) Adaptação ao Helicóptero Schweiser – Teórico e Prático
7) Alem da formação completa para pilotos, o CFAer oferece os seguintes cursos especiais:
8) Curso de Gestão de Unidade Operacional (CGUAPO)
9) Curso de Tripulante Técnico Operacinal
10) Curso de Segurança de Voo

Desde a sua instalação o CFAer já formou mais de 310 profissionais entre gestores, pilotos, instrutores de voo e tripulantes operacionais. Em 2008 instalou um simulador de voo de fabricação americana, para voos por instrumentos simulando voos noturnos ou em condições meteorológicas adversas.

GERENCIAMENTO DA SEGURANÇA OPERACIONAL

Visando assegurar a atividade operacional a níveis aceitáveis de segurança foi implementado o Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO), de acordo com padrões nacionais e internacionais considerando os seguintes aspectos em sua gestão:

1) Gestão de risco.
2) Seção de segurança operacional.
3) Trabalho em equipe.
4) Manual de gerenciamento da segurança operacional (MSGO).
5) Manutenção.
6) Planejamento das operações.
7) Procedimento operacional padrão (POP).
8) Política de segurança operacional.
9) Programa de relato para aviação civil (PRAC).
10) Consciência situacional.
11) Treinamento.
12) Eventos de conscientização.
13) Eventos promocionais.
14) Comissão de segurança operacional (CSO).
15) Programa F.O.D.
16) Auditoria de segurança operacional.

AERONAVES BASEADAS EM PORTO ALEGRE:

 

Texto e Fotos: Poa Spotter. Contato: [email protected]

1 COMENTÁRIO

  1. No final da década de 1980 fui honrado com o convite do Comandante Geral, Cel Jeronimo Carlos Santos Braga, para assumir o comando da unidade de aviação da Brigada Militar, que recentemente estava tomando forma. Respondi-lhe que, se fosse uma ordem, bastaria marcar a data para a posse; se fosse convite, pela primeira vez em minha carreira eu estava declinando, com muito pesar, pois sempre admirei essa atividade. Ocorre que, não sendo técnico na área, teria dificuldades em fazer a gestão que a unidade merecia. No caso em foco, eu deveria cursar uma escola de piloto privado às minhas expensas, pois a Corporação não possuía recursos para essa finalidade. O curso de piloto de helicóptero, que era oferecido sem ônus à Brigada e que anteriormente não exigia pré-requisitos, passou a exigir o diploma de piloto privado em razão de problemas com alunos de outras polícias militares, cujas dificuldades para acompanhar o currículo acabavam por retardar o andamento do curso. Então, em vista dos altos custos para a obtenção do diploma de piloto privado, acabei abrindo mão do honroso cargo que me foi oferecido. Honra-me também ter feito parte, mesmo que de forma fugaz, da história desse glorioso Batalhão de Aviação da Brigada Militar.

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