Constantemente as empresas de aviação assim como entes públicos da atividade aérea estão emitindo alertas, boletins, safety news acerca de temas que envolvem pressão, pressa, distrações, erros, violações e, como última consequência nessa cadeia perigosa, os acidentes.

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Em qualquer atividade humana, por mais corriqueira que seja, existem variáveis que se correlacionam e interagem, sejam externas ou internas, e que afetam a realização dessa tarefa em maior ou menor grau – facilitando ou dificultando a sua execução. Além das pressões externas (cobranças, prazos, regulamentos, intransigência de escalões de chefia, etc), é muito comum que o profissional também se coloque em uma situação pessoal de cobrança – o que estamos chamando aqui de pressão autoimposta.

Ainda que ela possa variar em intensidade de pessoa para pessoa, é um fator cada vez mais comum na sociedade moderna e, em se tratando de aviação, ganha reflexos exponenciais. Por exemplo: um simples atraso no início de um dia de serviço (seja porque o carro enguiçou ou o despertador não tocou ou ainda você resolveu esticar a soneca…) já começa a causar em você mesmo a ansiedade e a sensação de ter de recuperar o tempo perdido.

Daí, não fica muito difícil imaginar que possam ocorrer manobras arriscadas no trânsito ou até mesmo o cometimento de infrações – como aquele pequeno avanço de sinal. Um pedestre que esteja atravessando calmamente na faixa já se torna um estorvo e motivo de raiva. O ciclo continua e, já não bastando as preocupações e cobranças da vida diária, você chega ao hangar para exercer a sua função diária bastante “acelerado”. Seja piloto, tripulante, mecânico, administrativo, você já começa o seu dia contando com essa pressão, além de toda a carga que já o acompanha – incertezas, dificuldades familiares ou financeiras, problemas pessoais, algias…

Tudo ao mesmo tempo e agora, requerendo muito de sua atenção, prontidão e dedicação. O cenário descrito acima, por mais fantasioso que possa parecer, em algum ponto lhe deve ser familiar. E, aos poucos, pressa, cansaço, estresse, ansiedade vão se tornando parceiros fiéis de sua rotina de serviço.

Assim, é importante que você identifique o quanto antes esse cenário e, caso perceba que se encontra nesse turbilhão, passe a adotar medidas para gerenciar esse risco e mitigar os perigos advindos. Algumas dicas importantes que podem ser úteis:

– adote sempre que possível uma alimentação balanceada, evitando comidas industrializadas e ou gordurosas. Coma devagar, mastigue bem, procure se manter longe de smartphones enquanto faz as suas refeições. Aproveite o momento das refeições para dar um descanso para a sua mente;

– hidrate-se, hidrate-se, hidrate-se. Mantenha sempre uma garrafa de água por perto, mesmo nas missões externas ou fora das salas das Seções. Um cérebro hidratado funciona melhor;

– pratique atividades físicas, tanto nos dias de serviço quanto nos de folga. Especialistas falam em 30 minutos por dia ou 150 minutos por semana. Crie uma rotina, escolha uma atividade que lhe seja prazerosa, faça pelo menos um exercício ao ar livre e tome sol. Isso o ajudará a combater a depressão, por exemplo;

– procure relaxar sempre que puder. Como? Adote um hobby. Seja na leitura, passeios de moto ou de bike, na pesca, no mergulho, na corrida, na música… descubra ou retome alguma atividade que lhe faça viajar para longe da pressão;

– redes sociais atualmente se constituem em uma “quase obrigação”. Se você é um adepto disso (Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, grupos de WhatsApp), procure gerenciar e regrar seu tempo e sua forma de utilização. Cuidado com correntes, grupos, assuntos nocivos e que nada lhe acrescentam; e

– por fim, procure sorrir mais. Aprenda a usar de empatia, levar a vida com mais leveza e humor. Certamente sua atitude contagiará seus colegas de trabalho, de modo que ao final tudo convirja para um dia de serviço agradável e seguro.

Fonte: Texto publicado no Boletim PrevinES do NOTAER/ES, inspirado no informativo Safety News da Líder Aviação.