Operações Aeromédicas em Santa Catarina: Interação, Integração e Segurança Operacional na Aviação de Segurança Pública
09 de fevereiro de 2026
5min de leitura
09 de fevereiro de 2026
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Durante o ENAVSEG 2025 – Encontro Nacional de Aviação de Segurança Pública, o médico e gestor Dr. Bruno Quercia Barros, diretor técnico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Santa Catarina, apresentou uma palestra que foi além da exposição institucional. Com profundidade técnica e exemplos reais, o palestrante abordou um dos temas mais sensíveis e estratégicos da aviação de segurança pública contemporânea: a interação e a integração entre saúde e aviação nas operações aeromédicas.
Assista ao vídeo da palestra no final deste artigo.
Santa Catarina adota um modelo singular no cenário nacional, considerado ao mesmo tempo peculiar e desafiador, por envolver múltiplas instituições com naturezas administrativas distintas — Secretaria de Estado da Saúde, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar — atuando de forma conjunta no resgate e transporte aeromédico. Segundo o palestrante, o êxito desse modelo depende menos da estrutura isolada e mais da capacidade de integração real entre pessoas, processos e culturas organizacionais.

Diferentemente da maioria dos estados brasileiros, onde o SAMU é gerido por consórcios municipais ou regionais, em Santa Catarina a gestão do Suporte Avançado à Vida é estadual, sob responsabilidade direta da Secretaria de Estado da Saúde. Essa característica decorre da própria prerrogativa legal do suporte aeromédico, que é, por definição, suporte avançado, exigindo médico e enfermeiro a bordo.
Desde 2022, a FAHECE/SC passou a gerenciar as Unidades de Suporte Avançado, ampliando posteriormente sua atuação para a gestão de operações aeromédicas, em parceria com unidades de aviação de segurança pública. Atualmente, o estado conta com sete unidades de suporte aéreo, atendendo uma população de aproximadamente 8,5 milhões de habitantes.
Um dado de destaque apresentado na palestra chama a atenção no cenário nacional: das 20 unidades aeromédicas do SAMU qualificadas pelo Ministério da Saúde no Brasil, sete estão em Santa Catarina, o que representa cerca de um terço da capacidade nacional concentrada em um único estado.
O serviço aeromédico catarinense opera a partir de uma sólida rede de cooperação entre instituições:
Esse arranjo demonstra que integração não significa perda de identidade institucional, mas sim respeito às competências, responsabilidades e limites de cada órgão, com foco em um objetivo comum: o paciente.
Um dos pontos centrais da palestra foi a distinção clara entre interação e integração, conceitos frequentemente confundidos nas operações conjuntas.
O Dr. Bruno utilizou uma analogia precisa com o corpo humano: assim como coração e pulmões têm funções distintas, mas indispensáveis à vida, saúde e aviação não substituem uma à outra, mas se complementam. Sem integração, o sistema perde eficiência e aumenta riscos.
A palestra destacou que a segurança operacional nas operações aeromédicas transcende o conceito tradicional de “segurança de voo”. Ela envolve:
No contexto aeromédico, decisões operacionais não podem ser tomadas apenas com base em tempo e distância. O palestrante ilustrou essa afirmação com um caso real envolvendo o transporte simultâneo de dois recém-nascidos em incubadoras, onde a solução mais rápida não seria, necessariamente, a mais segura. A decisão correta exigiu duas aeronaves, preservando a integridade térmica e clínica dos pacientes.
Outro ponto de grande interesse do público foi a explicação dos critérios para acionamento do resgate aéreo, que incluem:
Quanto às competências, ficou claro que:
Encerrando a palestra, o Dr. Bruno reforçou que uma sala cheia de especialistas não forma, necessariamente, uma equipe especializada, se não houver interação e integração reais. Citando referências da medicina aeroespacial brasileira, destacou que a aviação alcança maiores níveis de segurança quando caminha ao lado da ciência, da gestão e do respeito mútuo entre profissionais.
A experiência de Santa Catarina demonstra que operações aeromédicas eficazes são construídas com confiança, comunicação, cultura organizacional e foco absoluto na vida humana — valores que servem de referência para todo o país.