Site Piloto Policial visita a Bell Helicopter, em Fort Worth/Texas

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EXCLUSIVO PILOTO POLICIAL

Conheça um pouco o “Quartel General” da Bell Helicopter, em Fort Worth, Texas/EUA, local onde está o famoso portal “We train the world”.

Aceitando o convite recebido durante o ALEA Western Seminar em San Diego efetuei uma visita às instalações da Bell Helicopter na cidade de Fort Worth, no Texas/EUA.

As instalações da Bell Helicopter em Fort Worth contempla basicamente o Head Office, departamentos administrativos e de marketing, e principalmente o centro de treinamento da Bell.

A Bell ainda possui fábricas dos helicópteros da linha militar que está situada na cidade de Columbus, no Mississipi/EUA e Amarillo, no Texas/EUA, e a linha de helicópteros civis na cidade de Mirabel, no Canadá.

Fui recebido pela Gabriela Arredondo, do Departamento de Marketing e Vendas, e posteriormente por Luis Monsante, responsável pelo mercado da América Latina, que me guiou e apresentou toda as instalações da Bell, e em especial o centro de treinamento.

LINHA DE AERONAVES CIVIS

A linha civil da Bell atualmente conta com seis modelos, incluindo o renovado Bell 407GX, o novíssimo Bell 429 e já contando com o esperado Bell 525 Relentless (Implacável).

O Bell 407GX é a nova versão do 407 equipado com um impressionante “glass cockpit” provido pelo Garmin, o Garmin G1000H. Interessante observar a compatibilidade do sistema ao realizar a integração de opcionais da versão policial com as telas multifuncionais, como moving maps, imageadores térmicos etc.

 

O Bell 429 é um biturbina leve lançado em 2007 e certificado em 2009, e que segundo informações já tem 10 unidades comercializadas no Brasil. Essa aeronave foi desenvolvida em substituição ao antigo biturbina 427 e com o projeto focado para o mercado aeromédico. O Bell 429 tem um peso máximo de decolagem de 3,175 kg, mas diversas agências certificadoras mundiais já autorizaram um peso máximo de decolagem de 3,402 kg, inclusive o Brasil. Tal aumento de peso máximo de decolagem tornou-se um incrível diferencial em relação ao Bell 429.

O 525 Rentless é uma nova aeronave, na categoria de 8 toneladas (supermédio), prevista para fazer seu voo inaugural em 2013. Se o atual “glass cockpit”do 407GX com seu Garmin G1000H já chama a atenção, atualmente, o projeto do Bell 525 preve um “glass cockpit” com telas enormes e sensíveis ao toque (“touchscreen”) também da Garmin (modelo 5000H), além dos revolucionários controles de voo tipo “joystick” ao invés dos tradicionais cíclico e coletivo. Simplesmente um tsunami em questão de conceitos.

Além disso, a linha dos helicópteros Bell 412 em breve também irá passar por atualização, sendo prevista, entre outras coisas, a instalação de modernos aviônicos, incluindo a atualização de seu piloto automático, e “glass cockpit”, contudo sem data para seu lançamento. Tal atualização tornará o Bell 412EP extrememante competitivo no mercado de biturbinas médios (peso máximo de decolagem de 5.400kg), principalmente em razão de seu renomado conjunto de turbinas Pratt & Whitney PT6T-3D Twin Pac, que oferecem um TBO de 4 mil horas.

HUEY II

Conversando sobre os Huey II, no Brasil apelidados de “Caveirões” e vedetes no Rio de Janeiro, interessante a observação de que os mesmos não são fabricados a partir do zero, ou seja não existe um Huey II novo.

Os Huey II são “fabricados” a partir de uma célula antiga. Essa célula antiga passa por uma completa inspeção e assim está apta a receber o kit de modernização, que inclui tudo novo, desde cone de cauda, motorização, transmissões, controles de voo, cabeamento, etc.  Finalizada a modernização, a aeronave mantém sua data antiga de fabricação, contudo tem suas horas de voo zeradas.

A partir da necessidade do cliente, a Bell fornece três opções para a aquisição de um Huey II: o fornecimento somente do kit ao cliente que escolherá sua oficina de preferência para efetuar a inspeção / modernização; a realização da inspeção / modernização na célula antiga fornecida pelo cliente; ou o fornecimento da célula antiga já inspecionada e com a modernização.

Interessante observar, que enquanto a terceira opção (Huey II “novo”) custa em torno de US$ 5 milhões de dólares, a aquisição somente do kit de modernização custa em torno de US$ 1 milhão de dólares. Quem sabe uma grande opção para os antigos UH-1H da FAB que estão sendo doados para nações “amigas”.

BELL TRAINING ACADEMY

A Bell Training Academy é o local onde é provido todo o treinamento de técnicos, pilotos e mecânicos, para toda a linha de helicópteros civis da Bell, incluindo em seu programa simuladores, helicópteros “reais” preparados para os alunos porem a mão na graxa, e aeronaves para instrução de voo prática.

A estrutura é primorosa, talvez fruto de uma experiência de terem treinado mais de 120.000 alunos desde sua fundação até os dias de hoje.

A Bell também mantém um programa de treinamento com simuladores focado para operadores policiais. O simulador em si é um FTSD Nível 6 baseado no cockpit do Bell407, com as adaptações necessárias de software / hardware que envolvem rádios policiais, controle do FLIR, farol de busca e moving map, que interagem junto ao cenário simulado.

A cabine do simulador é voltada para a doutrina americana, ou seja, com a operação apenas de piloto e TFO, não prevendo a utilização de tripulantes operacionais.

As imagens do simulador são de alta qualidade com um amplo campo de visão, e como de costume possibilita a mudança da condições de meteorológicas durante o treinamento, bem como simular problemas técnicos/panes e seus consequentes procedimentos.

SIMULADOR DE MISSÕES POLICIAIS

O treinamento de missões policias é baseado em cenários, que estão continuamente em desenvolvimento, de situações reais, como perseguições a veículos suspeitos, buscas a pessoas perdidas, cerco a residência, roubo em andamento, etc.

Participei do cenário de solicitação de apoio para perseguição a um veículo, onde percebe-se uma grande preocupação da equipe na simulação de uma ocorrência real, desde o despacho da ocorrência, via rádio policial, para a viatura averiguar o veículo, até a solicitação inicial de apoio aéreo por parte do patrulheiro. A partir daí, é como uma situação real em que as viaturas perdem o veículo de vista e fica por conta da aeronave acompanhar e transmitir a posição do veículo para as equipes de terra.

A simulação também contempla algumas “pegadinhas” para o TFO/Comandante de Operações, como a existência de um grande acidente automobilístico após o veículo em fuga cruzar em alta velocidade um farol vermelho e até mesmo uma possível arma sendo atirada do veículo em um matagal. A “ocorrência” termina com o veículo sendo abandonado em uma área residencial e seus ocupantes fugindo a pé em direções opostas. Será que isso acontece na prática?

Além desse simulador, existe no centro de treinamento outros simuladores contemplando a linha das aeronaves 206, 407, 429, 412 e Huey II, mas voltados exclusivamente para o treinamento de procedimentos/emergências de voo.

Interessante observar a existência de um imenso hangar, com toda a linha de aeronaves Bell a disposição para instrução de pilotos e principalmente mecânicos, com uma organização primorosa, colocando a disposição dos alunos todo o ferramental necessário, manuais de voo e de manutenção juntos as respectivas aeronaves especialmente preparadas e funcionais para a instrução.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sem entrar em considerações acerca das capacidades técnicas das aeronaves da Bell Helicopter, a empresa tem uma preocupação primorosa e um imenso orgulho de seu pioneirismo na aviação de asa rotativa ao exibir em seu “lounge” o original da primeira certificação de um helicóptero civil do mundo.

Outro motivo de orgulho da empresa, e com razão, é de seu centro de treinamento (Bell Helicopter Training Academy), que já treinou mais de 120.000 pessoas de cerca de 120 diferentes países. Para externar tal orgulho, além de placas comemorativas nos corredores da empresa, no hangar principal existem um grande mural com os brasões das unidades aéreas do mundo todo que já passaram por lá. Muito bacana ver em terras estrangeiras brasões conhecidos, como do DOA/PRF e do GAM/RJ.

Confira:

Fonte: Alex Mena Barreto, para o site Piloto Policial.

4 COMENTÁRIOS

  1. Com certeza é uma ótima opção para nossa aviação de segurança pública, já que a FAB pretende desativar os antigos H-1H e doar para nações “amigas”. A FAB tem todo conhecimento de instrução de vôo/manutenção e material para serem repassados as forças de segurança pública dos estados. É um assunto a ser levado adiante pelos nossos governantes e encarregados da área da segurança pública. Gostaria de saber mais sobre a opinião de quem entende melhor do assunto, como pessoas ligadas a FAB, Pilotos das Forças de segurança pública e secretários de segurança pública. Fica a dica para mais uma matéria do site.
    Obrigado pela atenção.

  2. Prezado Romário, boa tarde.

    Seria uma ótima aquisição á Forças Públicas o UH-1H, vulgo Sapão. Contudo alguns fatores são impeditivos ou pelo menos dificultadores de tal aquisição.

    Cito apenas duas.
    1ª A existência da Helibras (Itajubá-MG). Sendo ela a única no Brasil e considerando os benefícios oriundos da nacionalização da montagem e de peças suas aeronaves acabam com um preço mais atrativo, bem como, a manutenção de sua estrutura e funcionamento acarretam diversos fatores políticos que de uma forma ou de outra fomentam a aquisição de helicopteros Eurocopter.
    2º Diversidade de missões e diferenças geográficas entre os Estados e instituições.Alguns Estados possuem peculiaridades no combate ao crime, tal como o RJ, que de fato necessita de um “Tanque Aéreo” para que a segurança de suas ações se manifeste. Outros Estados, levando em consideração a Densidade demográfica e a geografia física de seus bairros, ruas e centros, tal como SP, teriam muita dificuldade em utilizar rotineiramente um UH-1H (em virtude de suas dimensões) em suas principais ações (resgate, abordagens, pairados a baixa altura e 360 com baixissima velocidade, dentre outras).

    Assim sendo, nobre companheiro, a utilização de um UH-1H por forças públicas deve passar por uma análise muito profunda e detalhada para se encontrar primeiramente missões e ações compactuantes e condizentes às características do UH-1H, segundo,identificar sua adequabilidade aos serviços para os quais será destinado e terceiro, viabilizar o bom emprego/gasto do dinheiro público através de resultados notórios de seu emprego para que sua aquisição não se torne um verdadeiro “Elefante Branco” para o povo (quem paga por tudo isso).

    Entendo, que com excessão de alguns Estados, as demais Forças Públicas poderiam sim possuir um UH-1H desde que sua rotina de atuação revele o emprego contínuo e eficiente desta tão poderosa máquina que tem em sua gênese o DNA da guerra, da resistência, da versatilidade, da robustez, da capacidade de carga dentre outras características.

    Sou filho de Piloto que só de UH-1H possue mais de 1.500 (mil e quinhentas) horas de voo e sei muito bem o quanto estas máquinas ainda podem contribuir para o desenvolvimento de nosso Brasil através da busca pela paz social por nossas Forças Públicas, como contribuiram no desbravamento e conquista da Amazônia nas décadas de 1970 e 1980 pelas mãos da histórica, guerreira e patriótica Força Aérea Brasileira.

    Vontade política, conhecimento técnico, cultura aeronáutica, cientificidade, moralidade pública e profissionalismo são alguns quesitos necessários para que algumas decisões sejam tomadas em nosso meio, principalmente e exclusivamente neste caso, para que nosso principal cliente veja, perceba, entenda e acredite em nossas ações, aquisições e técnicas.

    Que venham os UH-1H, se para melhorar é claro!

    Rtt. Tenente Tassinari – Comandante de Operações Aéreas – 3ª CORPAER / BTL RPAER / PMMG

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