Da esquerda para a direita, a major Laura Costa, a comandante Elizabeth Bergamin e a capitã Karina Bortoluzzi, do Notaer/ES (Foto: Fábio Nunes/AT)

Vitória — A aviação de segurança pública do Espírito Santo consolidou um quadro de oficiais que atuam em diferentes níveis de progressão operacional no Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer). Das 80 horas de voo iniciais ao comando pleno de todas as aeronaves da frota, as trajetórias da Major Elizabeth Bergamin, da Major Laura Costa e da Capitã Karina Bortoluzzi exemplificam o rigor técnico e a meritocracia necessários para a atividade aérea de Estado. A unidade, que opera em regime multimissão, exige de seus pilotos prontidão para resgates técnicos, policiamento e apoio em desastres naturais.

A renovação do efetivo é representada pela Capitã Karina Bortoluzzi, de 30 anos. Atualmente na função de copiloto, a oficial acumula cerca de 80 horas de voo e está em processo de formação para atingir o comando. Segundo a capitã, o interesse pela aviação surgiu durante sua carreira na Polícia Militar, ao perceber a capacidade de ampliação das ações ostensivas e de salvamento através do modal aéreo. O foco atual da oficial reside na progressão de horas e na qualificação teórica necessária para as próximas etapas de comando.

Trajetórias de comando e o legado na aviação de segurança pública

A major Laura Costa atingiu o posto de comandante de aeronave em 2024. (Foto: Acervo Pessoal)

Com uma trajetória de 25 anos na corporação, a Major Laura Costa atingiu o posto de comandante de aeronave em 2024. Sua transição para a aviação teve início em 2014, motivada pela observação das operações de apoio e resgate ainda durante sua formação como oficial. A major destaca que a profissão é definida por desafios constantes, citando como marco operacional o seu primeiro resgate como comandante: a extração de um parapentista em uma encosta rochosa, missão que exigiu precisão técnica e confirmou sua prontidão para o gerenciamento de crises em voo.

O alicerce dessa presença feminina no NOTAer foi estabelecido pela Major Elizabeth Bergamin, a primeira mulher a ingressar na aviação da unidade, em 2009. Ao longo de 15 anos dedicados ao voo, a oficial não apenas acompanhou a evolução tecnológica do núcleo, mas também a adaptação estrutural da unidade para o efetivo feminino. Habilitada para pilotar todos os modelos de helicópteros operados pela segurança pública capixaba, a comandante — que já soma quase duas décadas dedicadas ao voo — detalha os marcos de sua trajetória:

Comandante Elizabeth Bergamin, primeira mulher a ingressar na aviação do NOTAer. (Foto: Acervo Pessoal)

Como começou sua trajetória até o Notaer?
Elizabeth Bergamin: Ingressei na Polícia Militar em 2001 e, durante um curso em São Paulo, em 2008, conheci mais sobre a aviação de segurança pública e me interessei. No ano de 2009, abriu um processo seletivo para pilotos do Notaer, no qual eu me inscrevi e passei, iniciando o curso e minha caminhada na aviação.

Naquela época, já havia mulheres na aviação da unidade?
Não. Eu fui a primeira. Não existia nenhuma restrição formal, mas também não havia estrutura pronta para nós. Por exemplo, não tinha alojamento feminino, banheiro separado, nada. A unidade precisou se adaptar para me receber.

O que mais te marcou ao longo desses anos de atuação?
As missões em situações extremas, principalmente nas enchentes. Em alguns casos, somos o único recurso. O único socorro que chega aonde ninguém mais consegue. Um exemplo recente foram as chuvas de Mimoso do Sul, em 2024. Já resgatamos pessoas em telhados, famílias inteiras isoladas, pacientes que precisavam de atendimento urgente. São cenas que marcam muito.

Que mensagem você deixaria para mulheres que pensam em seguir esse caminho?
Eu não quero ser igual aos homens, quero chegar lá com as minhas características. Cada uma pode ocupar seu espaço do seu jeito. O importante é acreditar e seguir em frente.