Marinha criará Escola de Drones para fortalecer capacitação em operações com aeronaves não tripuladas
17 de dezembro de 2025
7min de leitura
O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil (MB) anunciou a criação da Escola de Drones do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC) para o próximo ano. A divulgação ocorreu durante o 1º Workshop sobre o Emprego de Drones e o 1º Campeonato de Drones Militares do CFN, realizados nos dias 26 e 27 de novembro, no CIASC, no Rio de Janeiro (RJ).
Imagem: Marinha do Brasil
Segundo o Comandante do CIASC, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Luis Manuel de Campos Mello, o Workshop e o Campeonato tiveram papel fundamental na criação da Escola de Drones.
“As lições aprendidas nesse evento serão importantes para estruturar a futura Escola de Drones do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, que será criada ainda em 2026. Inicialmente, o curso será para militares da Marinha, podendo, no futuro, ser expandido para outras Forças”, afirmou. O Almirante destacou que o curso abrangerá apenas drones dos tipos 0 e 1, ou seja, aeronaves que podem ser operadas por pessoal que não é piloto profissional.
O pesquisador do Comando do Desenvolvimento Doutrinário do Corpo de Fuzileiros Navais (CTDDCFN) e tutor das linhas de pesquisa de ações aeronavais, meios aéreos e antiaéreos, Capitão de Corveta (FN) Diego Sabá, explicou que o evento funcionou como um grande laboratório de experimentação doutrinária.
“Tudo o que observarmos aqui, as táticas que funcionaram, as adaptações feitas pelas equipes nos equipamentos e as formas criativas de emprego, será analisado e transformado em Lições Aprendidas. Nosso objetivo é que esse conhecimento prático retroalimente nossos currículos e manuais, acelerando a criação de táticas, técnicas e procedimentos que serão implementados no adestramento regular das nossas subunidades de combate”, disse.
O 1º Workshop sobre o Emprego de Drones do CFN contou com palestrantes nacionais e internacionais e reuniu mais de 400 participantes.
Seu objetivo foi fomentar a mentalidade de inovação dentro da Força, aprimorar a compreensão sobre o uso de drones militares e comerciais adaptados ao ambiente militar e promover o debate sobre temas atuais relacionados ao assunto, além de estimular a troca de experiências entre especialistas de diferentes países e instituições.
“Nós entendemos que o universo dos drones não é uma tecnologia exclusivamente militar, mas um ecossistema dual, no qual o mundo civil e o militar coexistem e evoluem juntos. Este evento serve para despertar no Fuzileiro Naval essa cultura tecnológica, identificar talentos internos e demonstrar que a capacidade operacional depende dessa integração entre técnica de pilotagem e criatividade tática”, destacou o Oficial do CTDDCFN.
O Workshop foi dividido em três painéis, além de uma demonstração de uso e uma exposição de diversos modelos. O primeiro painel abordou o emprego de drones nos conflitos contemporâneos e contou com a participação do Chefe da Seção de Desenvolvimento Tecnológico e Planejamento do Centro Global de Serviço das Nações Unidas, Capitão de Mar e Guerra (FN) Samuel Leal; do pesquisador do CTDDCFN, Capitão de Corveta (FN) Diego Sabá; e do Chefe da Equipe de Apoio Especializado do Groupement Commando Amphibie da Marinha da França, Sargento Wilfried Pottier, piloto e construtor do drone SL450 e instrutor do drone Black Hornet version 4.2 Indoor.
O segundo painel tratou do emprego de drones nas Forças Armadas e contou com a participação do Formulador Doutrinário para a Aviação do Exército e para o Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas do Centro de Doutrina do Exército, Coronel Paulo Ricardo Pinto da Silva; do Subcomandante do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, Coronel (Aviador) André Moura; do Imediato do 1º Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas da MB, Capitão de Fragata Daniel Chaves; e do Imediato do Batalhão de Combate Aéreo (BtlCmbAe), Capitão de Fragata (FN) Michel Saidel.
O terceiro painel abordou o emprego de drones em ambiente urbano e contou com a participação da agente da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), Brunna Lopes; do Chefe da Seção de Apoio do Grupo de Segurança e Defesa da Base Aérea de Brasília, Capitão de Infantaria Rodrigo Sande; do Chefe do Núcleo de Aeronaves Remotamente Pilotadas do Grupamento Aeromóvel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e piloto policial de helicóptero, Capitão (PM) Bruno Mazarino; e do Diretor Comercial da fabricante brasileira de drones Modirum/Gespi, Bruno Bondioli.
A policial civil Brunna Lopes, que atua na Delegacia de Homicídios da Capital e é um dos destaques femininos na operação de drones, ressaltou a importância da tecnologia para as atividades da corporação.
“Atuar tanto no treinamento quanto na prática das operações com drones é muito importante. Fui responsável pelo primeiro curso de operações de aeronaves não tripuladas na Polícia Civil e só conheço mais uma mulher atuando nessa área, na parte teórica e em legislação. Hoje, vejo que os drones revolucionaram as nossas operações, investigações e ações de inteligência. Poder representar a Polícia Civil e demonstrar um pouco da nossa atividade profissional neste Workshop foi muito importante”, afirmou.
O 1º Campeonato de Drones Militares foi composto pelas categorias “Manobra”, “Ataque Simulado”, “Reconhecimento” e “Inovação”. Cada modalidade teve desafios específicos projetados para testar habilidades, precisão e criatividade das equipes participantes, incentivando o desenvolvimento técnico, a excelência operacional e o aperfeiçoamento de técnicas aplicáveis às operações reais. Os drones utilizados eram da Modirum/Gespi, do CIASC, do BtlCmbAe e do Batalhão Tonelero.
Segundo o Capitão de Corveta (FN) Diego Sabá, o Campeonato permitiu testar diversas capacidades. “Estamos avaliando um conjunto de valências. Do ponto de vista técnico, testamos manobrabilidade, precisão de pilotagem e capacidade de operar o sistema em seus limites. Mas, fundamentalmente, estamos testando a capacidade cognitiva e de adaptação do operador. Queremos entender como ele utiliza a autonomia do equipamento e os sensores embarcados para resolver problemas táticos. É um teste de proficiência técnica, mas também de criatividade”, explicou.
O Soldado (FN) Gabriel de Ávila, do CIASC, vencedor da modalidade “Manobra”, celebrou a conquista. “Desde o início, no meu batalhão, sempre defendi o uso do drone AKA-52, especialmente para as nossas Forças. É uma tecnologia incrível e precisa estar nas fileiras. Tive a oportunidade de dar uma instrução sobre o uso de drones na guerra moderna este ano. Isso só me motivou ainda mais a seguir ao lado dessa tecnologia”, afirmou.
Já o Segundo-Sargento (Mergulhador de Combate) Rodrigo da Silva Leal, vencedor na modalidade “Inovação”, destacou a importância do intercâmbio proporcionado pelo evento. “É muito gratificante participar dessa competição, trocando e somando novos conhecimentos, aprimorando técnicas e contribuindo para a inovação nesse campo. Espero participar das próximas edições”, disse.
O Cabo (PM) Romulo Alves, da PMERJ, vencedor na modalidade “Ataque”, enfatizou o trabalho em equipe. “Medalha de ouro ou de prata, ninguém ganha nada sozinho. Foi um trabalho em equipe, um ajudando o outro. Quero agradecer ao Corpo de Fuzileiros Navais pela oportunidade de participar e vencer essa competição”, afirmou.
Para o Soldado (FN) Ryan Pereira Santos, do BtlCmbAe, vencedor da modalidade “Reconhecimento”, o Campeonato é essencial para aprimorar as capacidades das tropas. “É um campeonato muito importante para nosso Batalhão, porque é uma área em que temos nos especializado cada vez mais. Participar e vencer é de grande valia para adquirirmos mais experiência”, disse.
Além da competição e das palestras, houve exposição de drones de empresas parceiras e universidades. As empresas Condor, Modirum/Gespi e Mac Jee apresentaram novas tecnologias do setor de defesa, com foco em aeronaves remotamente pilotadas e sistemas de reconhecimento.
Segundo o Capitão de Corveta (FN) Diego Sabá, o uso de drones aprimora as operações dos Fuzileiros Navais em missões reais. “O drone atua hoje como um multiplicador de força. No reconhecimento, garante consciência situacional, permitindo que o Comandante veja o outro lado da colina sem expor seus homens. Na logística, oferece meios de ressuprimento rápido em áreas de risco. E, analisando conflitos recentes, como no leste europeu, vemos sua capacidade de atuar diretamente no combate, entregando efeitos cinéticos com precisão. Ele aumenta a letalidade da tropa ao mesmo tempo em que protege o combatente.”
Ele também destacou o potencial da tecnologia para ações de Defesa Civil. “Essa é a grande vantagem: trata-se de uma tecnologia inerentemente dual. A mesma câmera térmica que usamos para detectar uma ameaça camuflada no terreno é ideal para localizar uma vítima perdida na mata ou soterrada após um deslizamento, inclusive à noite. O Corpo de Fuzileiros Navais, que é uma Força de pronto emprego e vocação expedicionária, enxerga o drone como ferramenta essencial também para ajuda humanitária, permitindo alcançar locais de difícil acesso para equipes tradicionais de resgate”, concluiu.
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