Comentários para “A fadiga em operações noturnas com helicópteros”

  1. J.Costa disse:

    O voo noturno em serviço ems no Brasil é muito arriscado!

  2. Ayres disse:

    A questao do voo noturno e antes de tudo uma cultura de seguranca de aviacao a ser implantada na Unidade. Fiz parte de uma equipe responsavel pela criacao de uma Unidade Aerea da Marinha ha muitos anos atras. Eram 6 pilotos de Esquilo que foram enviados a Franca para fazer o curso da aeronave e depois implantar a doutrina de operacao, procedimentos operacionais, treinamento de pilotos e mecanicos, etc… . A Unidade completara 25 anos em setembro deste ano. Um dos pontos que causou polemica era o tempo de descanso da tripulacao de alerta noturno. Essa equipe assume o alerta no por do sol e dorme apos o almoco. Ha uma regrinha de tempo de alerta x descanso x horas voadas, tanto operando em terra quanto a partir do Navio Aerodromo. Lembro-me que em algumas travessias no mar de 5 ou 7 dias, eu nao via a luz do dia, pois a equipe noturna, so voava a noite e dormia durante o dia. Decolar a noite de um navio escuro, voar durante 3 a 4 horas, as vezes a 100 milhas nauticas do navio-mae e retornar para pouso as 05h00m, exige que o piloto esteja descansado. Vampiros e morcegos… Isto foi implantado porque tivemos uns sustos no inicio provocados pelo cansaco. Em Macae, as tripulacoes do helicoptero ambulancia, estao em revezamento em turnos de 8 horas cada, diariamente para permitir o descanso. Mas alguns colegas usavam esse tempo de descanso para outras atividades, inclusive cortar a grama do jardim. Quando houve a explosao da plataforma P-36, varias tripulacoes foram acionadas e 4 S76 decolaram de Macae direto para a P-36 para retirarem as pessoas antes da plataforma afundar. Eram 03h 30m da madrugada.Nessa altura, o ambulancia já estava voltando de la com ferido a bordo e voou direto para o Rio de Janeiro para pousar no heliponto do Hospital da Aeronautica na Ilha do Governador.
    E interessante comecar a discutir isto e criar regras de descanso. Cada vez mais, as solicitacoes para voos noturnos irao acontecer para aeronaves de seguranca publica.

    CMTE AYRES – PLAH 0552

  3. JULIANO disse:

    Com a palavra os guerreiros aldazes que atuam 24 horas, precisamos houvir vossas experiências e buscar a melhor alternativa afim de voarmos mais próximos da segurança necessária. Só posso dizer que na luz do dia a operação é bastante arriscada e precisamos planejar e a cada dia mitigar os perigos, a noite deve ser no mínimo dobrado o trabalho.

  4. Mark Kolmogoroff disse:

    Srs,

    O Vôo Noturno, assim como o Vôo Diurno possui riscos inerentes a sua operação. Cabe ao gestor da unidade estudar sua demanda e se necessário iniciar a atividade noturna após vários fatores serem empregados em conjunto:

    1- Total conhecimento e experiência de Vôo da Região no período Diurno;

    2- Limitar a área de atuação;

    3- Criar corredores para os vôos noturnos;

    4- Exigir dos solicitantes(Hospitais, Quarteis) áreas preparadas e iluminadas para pouso e decolagem;

    5- Possuir Farol de Busca e não contar apenas com Farol de Pouso e Taxi;

    6- Instrução e Capacitação Continuada para operar no periodo noturno;

    7- Avaliação do Risco, ou seja, saber dizer NÃO quando seu conhecimento e sua experiencia estiverem ficando para atrás da missão;

    8- De preferência para utilizar aeronave biturbina no período noturno;

    9- Atentar para as jornadas longas estabelecendo limites para evitar a fadiga;

    10- Conhecer e respeitar os seus limites e o da máquina;

    Bons Vôos…
    MAJ Kolmogoroff
    Piloto de Helicóptero do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
    Cmt de Aeronave AS 350 B2, EC 135.
    Segurança Operacional
    Atualmente Requisitado Pelo Governo Do Estado do Maranhão, atuando no Grupo Tático Aéreo – GTA.

  5. Cmte Ayres disse:

    O voo noturno na aviação civil é feito em condições visuais dentro da TMA com determinadas condições meteorológicas ou então será feito por instrumentos.

    Já em missões de segurança pública ou defesa civil, a meu ver tem 2 fatores que diferem da aviação civil e se aproximam da aviação militar: o voo à baixa altura e a necessidade de manter condições visuais mesmo em áreas de baixa luminosidade, ultrapassando a TMA e com pouso em locais não preparados. Ocorreram alguns acidentes fatais com helicópteros dentro deste envelope. Os militares já estão voando com NVG e até fazendo tiro de foguetes à noite. Eles têm um treinamento específico muito bom em Taubaté, na base da AvEx.

    A meu juízo, deve-se estudar o uso de óculos de visão noturna (NVG)para missões e efetivamente mudar a legislação para que se possa utilizá-los. Nos Estados Unidos e na Europa, as policias e os orgaos de defesa civil já usam. E discute-se o uso nos hes de táxi aéreo especializados em transporte aeromédico em face do grande número de acidentes.

    CMTE AYRES – PLAH 0552.

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