A urgência de infraestrutura para helipontos hospitalares
17 de setembro de 2026
1min de leitura
ALEX MENA BARRETO Coronel RR PMESP Águia 67 – CAvPM
O recente simulado de emergência aeronáutica no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi um sucesso em termos de integração e de tempo resposta. No entanto, um detalhe operacional do exercício acende um sinal de alerta que não pode ser ignorado pela sociedade e pelos gestores públicos: a necessidade de realizar um pouso na movimentada Avenida Osvaldo Aranha para desembarcar as vítimas ao Hospital de Pronto Socorro (HPS).
Se, por um lado, a manobra demonstra a excepcional capacidade técnica dos pilotos e a flexibilidade tática das equipes de resgate, por outro, expõe uma lacuna crítica em nossa rede de atendimento de urgência. Recorrer ao fechamento de uma via pública para um pouso de helicóptero não pode ser a solução padrão, nem mesmo em cenários simulados.
No resgate aeromédico, cada segundo é decisivo. A “hora de ouro” do atendimento ao trauma é severamente comprometida quando a aeronave, após vencer o tempo de deslocamento aéreo, precisa improvisar uma zona de pouso ou depender de um translado terrestre adicional devido à ausência de um heliponto adequado e integrado à unidade hospitalar.
A infraestrutura para receber helicópteros aeromédicos não é um luxo ou um detalhe arquitetônico opcional; é uma extensão direta da sala de emergência. Helipontos hospitalares bem projetados, com as devidas aprovações de segurança operacional e infraestrutura de apoio, garantem a transição rápida e segura do paciente da aeronave para a equipe médica, além de preservar a integridade da tripulação e do público em solo.
O simulado da PRF cumpriu seu papel de testar protocolos e demonstrou a capacidade de superação das equipes. Mas a lição que fica é clara: é urgente investir na construção e adequação de helipontos nos principais hospitais de referência do Brasil. A excelência do piloto não deve ser chamada a suprir a ausência de infraestrutura básica. No resgate aeromédico, a eficiência e a segurança só se completam quando o paciente está, de forma rápida e segura, dentro do hospital.
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