Pará – Em 2014, comemoram-se dez anos de atividade aérea de segurança pública e defesa civil no Pará, um dos Estados pioneiros nesse tipo de serviço em todo o país. Para marcar a data, o governador Simão Jatene faz a entrega oficial à população de dois novos helicópteros, modelo Esquilo AS 350 B2, e de um avião Caravan, modelo C–208, que vão aumentar a frota do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp). A cerimônia comemorativa ocorre nesta terça-feira, 1° de julho, a partir das 10 horas, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.

Resize (1)

O público poderá ver de perto as novas aeronaves adquiridas pelo governo do Estado para incrementar o alcance da aviação de segurança pública paraense, que, ao longo de dez anos, acumulou 4,3 mil horas de voo e fez, por exemplo, o transporte e resgate aeromédico de mais de 1,3 mil pessoas.

A história da atividade aérea de segurança pública e defesa civil no Pará teve início em 2004, com o Grupamento Aéreo (Graer), ligado à Polícia Militar (PM). Mais tarde, surgiu o Comando de Operações Aéreas (COA), do Corpo de Bombeiros. Em 2011, já na atual gestão, com a reformulação do sistema de segurança pública do Estado, foi criado e vinculado à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) o Graesp, agregando os diferentes grupamentos aéreos existentes.

Com o tempo e a integração, o Graesp teve a frota aumentada, paulatinamente. Hoje, já contando com as novas aquisições, são ao todo dez aeronaves, entre as quais oito helicópteros, um avião e um motoplanador. Dessas, seis fazem parte do patrimônio do Estado (quatro helicópteros, o avião e o motoplanador), e quatro são alugadas. A intenção do governo é que, em breve, todas as aeronaves sejam próprias.

“Em setembro, vamos receber um novo helicóptero de grande porte, com capacidade para 13 pessoas, que será usado, prioritariamente, no transporte de tropas. Com essa ampliação da frota, deveremos, também fazer um concurso interno para a contratação de pilotos e tripulantes operacionais”, explica o diretor do Graesp, tenente-coronel PM Josilei Gonçalves, acrescentando que as aeronaves recém-adquiridas pelo governo do Estado estão em fase final de liberação de documentação e devem entrar em operação, no máximo, na segunda quinzena de julho.

Resize (5)

Abrangência – Segundo o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes Rocha, as aeronaves do Graesp atuam, principalmente, em ações aeromédicas, de socorro, resgate e salvamento aéreo; no transporte de equipamentos e pessoal em operações de combate ao tráfico de entorpecentes; na localização de criminosos em matagais e região de floresta amazônica; no radiopatrulhamento aéreo, de vigilância e ambiental; no auxílio às operações relacionadas à preservação de recursos minerais; no combate a crimes ecológicos e queimadas, objetivando minimizar os impactos ambientais; e no patrulhamento, demarcação e desinterdição de áreas indígenas, entre outras.

“A aviação aérea de segurança começou a ser pensada e desenvolvida desde a primeira gestão do governador Simão Jatene. Infelizmente, houve uma descontinuidade no incremento das ações, mas, logo que reassumiu a administração do Estado, em 2011, o governador determinou o restabelecimento e a descentralização das atividades do Grupamento Aéreo, com bases fixas distribuídas nas várias regiões paraenses. Hoje, o Graesp não garante apoio apenas às ações da área de segurança pública. A missão é bem mais expressiva, e o grupamento já atende a 70% do território paraense, com bases fixas em Belém, Santarém, Marabá e Altamira”, frisa o titular da Segup.

No segundo semestre, o Graesp começa a operar a base de Redenção, no sul do Pará, e, em breve, outra será instalada em Jacareacanga ou Itaituba, no sudoeste paraense. Estudos já estão sendo feitos para que se estabeleça a melhor localização e infraestrutura para o trabalho nessa região.

Salva-vidas que chega pelo ar

O trabalho da aviação de segurança pública tem sido fundamental, também, para salvar vidas. Ao longo de dez anos, foram feitas exatas 1.386 operações de remoção e transporte aeromédico. Especificamente para esse tipo de trabalho, o Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) mantém convênio com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) para que médicos e enfermeiros auxiliem nas remoções, acionados a partir da central de regulação da própria Sespa.

Resize

“O hospital do local onde o paciente está sendo atendido entra em contato com a Sespa, que analisa a situação e convoca o Graesp para fazer o transporte, dependendo das condições clínicas e da distância em questão. Também é possível fazer esse contato pelo Centro de Operações Integradas (Ciop), que pode ser informado sobre a situação por qualquer cidadão”, explica o médico da Sespa/ Graesp, José Guataçara Gabriel.

Segundo ele, como nas principais regiões do Estado já existem bases do Graesp instaladas, a base fixa de Belém, por exemplo, atende, principalmente, ocorrências dos 16 municípios que compõem o arquipélago do Marajó, onde as condições geográficas são bastante específicas. “A facilidade da aeronave é que, às vezes, ela consegue chegar a lugares aonde outros tipos de transporte não chegam. Há pontos do Marajó, por exemplo, em que o acesso só é possível por meio de uma viagem de 14 horas de barco. De avião, conseguimos chegar a esses lugares com 55 minutos ou uma hora de voo, ou seja, o tempo-resposta é totalmente diferente”, ressalta.

Essa diferença foi fundamental para a sobrevivência do agricultor Nazareno Silva, de 22 anos. Morador da comunidade de Campinas, no município de Cachoeira do Piriá, nordeste paraense, ele sofreu, há cerca de dez dias, um grave acidente enquanto manipulava uma máquina do tipo roçadeira. Uma das palhetas do motor do equipamento se soltou e acabou atingindo a perna do rapaz, provocando um sério ferimento. Nazareno foi levado de ambulância até o município de Capanema e, de lá, em um helicóptero do Graesp, até Castanhal, de onde, posteriormente, foi transferido para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.

Internado por nove dias no Metropolitano, Nazareno precisou ser submetido a uma cirurgia de amputação de uma parte da perna e do pé esquerdo, em função da gravidade do ferimento. “Perdi um pé, mas não perdi a vida. Para isso, contribuiu com certeza o fato de ter tido um atendimento rápido. Agradeço a todos que fazem esse trabalho, que já salvou muita gente como eu”, diz.

Resize (4)

Fonte: Agência de Notícias do Pará.