Projeto Falcão: imageador, cultura operacional e táticas que estão redefinindo o voo policial no Brasil
17 de novembro de 2025
5min de leitura
17 de novembro de 2025
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No ENAVSEG 2025, o BPMOA/PR apresentou — com dados, casos reais e transparência — como tecnologia embarcada (especialmente o imageador eletro-óptico/IR) muda o resultado operacional, a segurança de voo e a cultura das Unidades Aéreas de Segurança Pública (UASP). Mais do que equipamentos, a mensagem central foi: “aviação sem entrega é hobby”. Resultado e método caminham juntos.
Assista ao vídeo da palestra no final deste artigo.
O Ten Cel Müller contextualizou a virada estratégica do Projeto Falcão no Paraná: a transição de aeronaves multimissão para plataformas dedicadas ao policiamento, equipadas com pacote tecnológico completo. Em 2,5 anos de operação dedicada, a produtividade e o nível de segurança mudaram de patamar — a ponto do BPMOA expandir de 2 para 5 aeronaves com tecnologia embarcada.
Iniciado com base em referências internacionais (visita técnica a Sacramento/CA em 2018), o projeto amadureceu com aprendizado em linha: errar, corrigir, padronizar e treinar. Hoje, o BPMOA opera R66 com Wescam MX-10, farol de busca SX-7, alto-falante externo, sistema de missão com mapas móveis, gravação/transmissão (incluindo Starlink) e caixas de áudio dedicadas para separar comunicações (aeronáutica x tática).
O Cap Lazzarotto desmontou mitos comuns:
Casos exibidos no vídeo mostraram acompanhamentos discretos a 3.500 pés AGL, identificação do alvo por meio de tornozeleira eletrônica no IR ao meio-dia, guiança de viaturas em mata fechada, recuperação de 43 kg de pasta base e perseguição aérea com link ao vivo para equipes em solo.
Mais do que hardware, a palestra focou em organização e cabine:
Se uma ponta falha, a cabine entra em sobrecarga. Por isso, o BPMOA reformulou seleção e formação, ampliando de 5h para 50h a carga de Tecnologia Embarcada no curso de operadores e exigindo inglês técnico para acesso à bibliografia e doutrina (Tactical Flying, artigos do TFO, etc.).
Mantra operacional: treine enquanto patrulha.
Em cada saída, a tripulação pratica acompanhamento de alvos fictícios, comunicação tática e emprego do sensor — e transforma voo de presença em produtividade.
O Ten Cel Kunsch trouxe a visão do NOTAER/ES (unidade integrada e multimissão), operando MX-15 com alcance maior e usando a mesma lógica de sistema de missão e transmissão.
Desafios práticos: alternar a aeronave entre policial, aeromédico, SAR e fiscalização ambiental implica monta/desmonta do sensor — e mesmo assim a disponibilidade tem sido alta. O ganho de efetividade foi tal que “voltar a voar sem câmera” frustra as tripulações e reduz a expectativa de sucesso.
Destaques do debate:
O Projeto Falcão demonstra que tecnologia embarcada + método + cultura geram mais segurança operacional, mais entrega e mais legitimidade para a aviação de segurança pública. A mensagem que fica é simples e potente: estar no lugar certo, na hora certa, com a ferramenta certa e a tripulação certa — repetidas vezes.
Créditos: ENAVSEG 2025 – Organização, palestrantes e equipes do BPMOA/PR e NOTAER/ES.
Que seja infinita a nossa energia para fazer o bem.