O dia 9 de outubro de 2026 ficará marcado como um dos dias mais tristes da história da aviação de segurança pública brasileira. Uma aeronave do Comando de Aviação do Estado (COMAVE) da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), identificada como Pegasus 17, caiu em uma área de mata nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, no município de Santana do Paraíso (MG), vitimando fatalmente os três tripulantes a bordo.

De acordo com as informações, o bimotor Beechcraft King Air 300, prefixo PP-EJO, realizava um voo de cheque quando sofreu o acidente. Equipes de resgate relataram que a aeronave pegou fogo ao cair, e, infelizmente, não houve sobreviventes

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) foi acionado e irá iniciar as investigações para apurar as causas da tragédia

Três Histórias Interrompidas

A perda atinge o cerne da nossa comunidade de aviadores, tendo como vítimas:

  • Tenente-Coronel Luis Silvestre: Comandante do Esquadrão de Aviões do COMAVE, uma pessoa fantástica e com um coração sem tamanho, era um profissional respeitado e experiente, acumulando mais de 5 mil horas de voo e uma trajetória dedicada à formação e segurança de sua equipe.
  • 1ª Tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende: Dedicada aviadora que havia retornado recentemente de licença-maternidade, pronta para retomar sua missão nos céus.
  • 1ª Tenente Alice Almeida: Também atuava como piloto da PMMG, construindo uma trajetória de dedicação e serviço à segurança pública, com passagem anterior pelo Corpo de Bombeiros

Solidariedade e Irmandade

A aviação de segurança pública no Brasil forma uma verdadeira irmandade de asas. Somos uma comunidade unida não apenas por checklists e procedimentos operacionais, mas pela vocação compartilhada de servir e proteger. Nós nos encontramos nos mesmos pátios de voo, dividimos as mesmas preocupações e celebramos as mesmas missões cumpridas. Por isso, quando uma de nossas aeronaves não completa o seu pouso, o silêncio ecoa em todas as unidades do país.

O portal Piloto Policial se une ao luto do Comando de Aviação do Estado (COMAVE) e de toda a Polícia Militar de Minas Gerais, reafirmando um princípio que nos guia: a dor de uma unidade é a dor de todos nós da aviação de segurança pública. Não se perde apenas uma tripulação; perde-se uma parte da nossa própria história e dos nossos referenciais de excelência.

Nota de Homenagem

Há tragédias que o cérebro demora a processar, e esta é, sem dúvida, uma delas. A partida repentina do Tenente-Coronel Luis Silvestre e das primeiras-tenentes Gabriela Emília e Alice Almeida deixa uma lacuna intransponível em nossos céus e em nossos corações.

Ao Piloto Policial, resta o dever de registrar não apenas o fato noticioso, mas o legado deixado por eles: o de profissionais que abraçaram a missão com técnica, coragem e humanidade. Estendemos nosso abraço mais sentido aos familiares, amigos e colegas de farda, desejando que o conforto, neste momento de dor extrema, venha na certeza do dever cumprido com absoluta honra.

Eles faziam parte da elite que escolheu decolar todos os dias, assumindo com bravura os riscos inerentes ao céu, para garantir que a sociedade pudesse, com mais segurança, voltar para casa.

Voo eterno ao Pegasus 17.