A Aviação de Segurança Pública: expansão, impacto e os desafios em 2025
08 de dezembro de 2025
5min de leitura
08 de dezembro de 2025
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Durante o ENAVSEG, o Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Alex Mena Barreto, piloto policial com mais de 20 anos de atuação na aviação policial, apresentou a palestra “A Aviação de Segurança Pública no Brasil: Expansão, Impacto e Desafios em 2025”, trazendo uma análise profunda sobre a evolução do setor na última década e o papel decisivo da aviação no cenário de segurança pública nacional.
Com formação sólida — incluindo doutorado em Ciências Policiais, habilitações de alta complexidade e extensa experiência operacional — Mena Barreto ofereceu uma visão realista, técnica e, ao mesmo tempo, inspiradora sobre onde estamos e para onde podemos avançar.
Assista ao vídeo da palestra no final deste artigo.
O palestrante iniciou sua fala relembrando o contexto histórico: em 2014, quando apresentou a primeira pesquisa nacional sobre as Organizações de Aviação de Segurança Pública (OASPs), o setor possuía estrutura limitada, poucos dados e um cenário ainda embrionário de integração entre estados.
Hoje, dez anos depois, o panorama mudou radicalmente.
A evolução demonstra que as Organizações de Aviação de Segurança Pública deixaram de ser estruturas isoladas e passaram a compor uma malha nacional operacional robusta, capaz de responder rapidamente a emergências em qualquer ponto do Brasil.
Nas frotas, o avanço é ainda mais expressivo.
A explicação, segundo Mena Barreto, não foi uma política pública estruturada, seja federal ou institucional, mas sim abnegação, esforço individual e obstinação das equipes das Organizações de Aviação de Segurança Pública, que buscaram convênios, financiamento, recursos próprios e parcerias para viabilizar o crescimento de suas unidades.
A evolução das aeronaves não acompanhou proporcionalmente o crescimento do número de profissionais no segmento.
O impacto é claro: “Hoje o gargalo não é mais aeronave. É gente.”
A dificuldade em formar pilotos, tripulantes, instrutores e mecânicos se tornou o principal desafio estrutural da aviação pública no Brasil para os próximos anos.
Os números apresentados impressionam:
Apesar dessa lacuna, a aviação policial hoje tem tamanho físico e econômico comparável a grandes órgãos federais e deve crescer ainda mais com novas contratações, modernizações e processos de locação de aeronaves.
Uma das reflexões mais importantes da palestra gira em torno da mensuração de resultados.
Embora dados de horas de voo estejam relativamente consolidados — chegando a 60 mil horas anuais somadas — ainda não existe uma padronização nacional para indicadores de resultados:
Ainda assim, os números apresentados são impressionantes:
A FAB inteira realizou 234 transportes no ano — número próximo ao da SOAer (RJ) com apenas duas aeronaves.
Segundo o palestrante: “Para nós, é mais uma hora de voo. Para eles, é uma nova chance de vida.”
Casos como o da Polícia Civil de Santa Catarina, com mais de 600 vidas salvas, reforçam o protagonismo das aviações estaduais na área aeromédica.
Dez anos depois, um problema identificado em 2014 permanece:
Para Mena Barreto, essa padronização não deve vir apenas “de cima”, mas sim de iniciativas práticas das próprias unidades: “Por que esperar alguém fazer? Por que não fazemos nós mesmos?”
O ponto alto da palestra foi a constatação: A Aviação de Segurança Pública possui mais helicópteros que as Forças Armadas brasileiras.
Apesar disso, o setor ainda enfrenta resistência regulatória, dificuldades políticas e pouca visibilidade estratégica.
Segundo Mena Barreto: “Somos uma potência. Precisamos tomar posse disso.”
O palestrante encerrou com uma provocação:
E relembrou uma frase de John Kennedy: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país.”
Apresentação em PDF